Lezile Conta Estórias à Mão Levantada no Museu da Mafalala

Os dias nascem com sol; e, com este, eventos se anunciam e cantam ao som dos pássaros, cânticos da mocidade, que se revestem de nostalgia a cada memória por si deixados. É nesse espírito que 𝐉𝐮𝐯𝐞𝐧𝐢𝐥 𝐀𝐥𝐞𝐱 𝐋𝐞𝐳𝐢𝐥𝐞, de mão sobre a ancestralidade, fala idiomas conhecidos apenas no mundo das esculturas.

Para muitos, são meros objectos. Ainda assim, todos eles carregam símbolos que as nossas consciências guardam no esquecimento. Não bastou que Lizile nos recordasse, mas essas memórias permanecerão guardadas até o infinito da nossa imaginação. Quando nem ela estiver ao alcance do tempo, os dias se prolongarão até que Março se ausente.

Para Lezile, partir sem chegar é ignorar a identidade. Por isso “𝑶 𝑪𝒐𝒓𝒑𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝑮𝒖𝒂𝒓𝒅𝒂 𝒐𝒔 𝑨𝒖𝒔𝒆𝒏𝒕𝒆𝒔” chegou, e encantou na verdade e no espírito. Mas no bairro da Mafalala, o testemunho é ainda mais forte. O peso do nome acrescenta o valor das artes e no seu Museu, Lezile encontrou um depositário para preencher de suas ausências.

Em cada uma das 19 peças, Lezile encarna membros de um corpo cujas estórias são contadas por ausentes em nome de ausentes, para outros ausentes. Rostos mergulhados em lágrimas, molham presenças atentas no detalhe mais remoto da exposição.

Oriundo da terra das águas, o aquático do Lago Niassa, Lezile, com esta exposição deixa uma garantia: não há vida sem ancestralidade.

Texto: Artimisa J. Tivane Mucavele