Mulheres de Niassa de Mãos Dadas no Diálogo Nacional Inclusivo

De Mulher para Mulher, as caras e vozes do empoderamento feminino do país discutiram entre os dias 04 e 05/02, as políticas de inclusão e distribuição equitativa dos benefícios advindos dos diversos ganhos de recursos naturais. Em Niassa, a partir da cidade de Lichinga, na sala de reuniões de hotel Girassol, as 50 mulheres carregadas de sentido de pertença e irreverência, acompanharam de forma remota outras tantas em cada província incluindo cidade de Maputo viam zoom, fazendo um total de cerca de 700 pessoas.

Num ambiente de festa, de coros que carregam significados e hinos da mocidade, entre os desafios apontados, a mulher e a rapariga de Niassa, falaram do défice no acesso à justiça, barreiras económicas, sociais, culturais, marginalização dos espaços formais de negociação, escassa valorização das experiências específicas das mulheres, particularmente em contextos de violência e pobreza, apesar do contributo decisivo das mulheres na construção da paz, da coesão social e da economia.

O encontro co-organizado por diversas organizações da sociedade civil ligadas a mulher, em estreita coordenação com a Comissão do Diálogo Nacional (COTE), foi brindado de poesia e dança que faz de Niassa, maior destino das manifestações culturais, para de forma alegre, celebrar a oportunidade estratégica para romper com a exclusão de mulheres e consolidar um processo mais aberto, representativo e transformador. O evento faz parte de uma série de acções planificadas, para assegurar o amplo envolvimento das mulheres, incluindo a produção de documentos analíticos e técnicos que serão submetidos à COTE.

Manuela Teixeira, Coordenadora do FOFeN, espera que todas as preocupações a respeito da vida das mulheres de todas as províncias, sejam inclusas no processo da reforma que está a acontecer no país, onde serão apresentados os desafios que as mulheres enfrentam, como forma de ajudar o governo a ter um horizonte sobre as dificuldades que as mulheres enfrentam. Teixeira, mostrou-se optimista no seguimento das deliberações da reunião e aponta para uma mudança gradual, pois há mulheres a ocupar posições relevantes, tanto no sector público assim como no privado.

Por sua vez, entrevistadas pela nossa equipe de reportagem, Amélia Calisto e Anabela Lucas, ambas participantes do evento, falaram de um privilégio representar as vozes das mulheres da sua comunidade, sobretudo porque ainda persiste o medo de falar das suas vidas. A terminar, disseram esperar que o governo receba a mensagem das mulheres como uma prioridade no futuro, para fazer da sua voz submissa, um eco de toda uma comunidade e um contributo a ter em conta no desenvolvimento do país. Para elas, apesar da existência de equilíbrio, exigem existência de mudanças na distribuição equitativa de benefícios advindos de recursos naturais tirados da terra em que também fazem parte, e o Estado confere-lhes o direito de aproveitamento.

Sem distinção do extracto social, origem e graus académicos, as mulheres de Niassa, de sorrisos largos, marcaram sua presença na reunião histórica e fizeram do lema: “As Caras e as Vozes das Mulheres Contam no Diálogo Nacional Inclusivo”, uma verdadeira mensagem de guerra e garra para suas lutas.

Texto: Artimisa J. Tivane Mucavele