Quando se pensava que nada mais de bom poderia emergir da terra onde jorraram os primeiros quadros profissionais do Niassa, das oficinas de onde saíram, com honra e mestria, jardineiros, sapateiros, joalheiros, serralheiros, carpinteiros, mecânicos, oleiros, alfaiates, dactilógrafos, artistas plásticos e artesãos, eis que, na manhã de 03/02, a partir de uma missão que aos poucos se transforma em ruína, ressurgiu o Grupo Cultural Chioda de Massangulo.

Com a sua magia de dança e canto, cultivada desde a década de 1980, o grupo abrilhantou o palco da tribuna de Massangulo, no âmbito das comemorações do 3 de Fevereiro, data consagrada aos Heróis Moçambicanos, em homenagem a Eduardo Chivambo Mondlane, arquitecto da Unidade Nacional.
Nem o calor escaldante nem a presença tímida de populares conseguiram deter aquele que é considerado o grupo cultural mais vibrante de Massangulo. A sua energia e entrega contagiaram o público presente.
Entre um homem e mulheres de vozes encantadoras, o Chioda de Massangulo recordou aos presentes que a arte continua a ser a expressão viva dos sentimentos de um povo – um povo que resiste a uma seca de acções, a um vento de desleixo e a prioridades mal cogitadas.
A actuação foi marcada por um elevado grau de patriotismo, chegando a comover o público, mesmo contando apenas com um batuque, prova inequívoca de que a força da cultura não se mede pela abundância de meios, mas pela autenticidade da mensagem transmitida.

A nossa equipa de reportagem, que esteve no terreno, interpelou Ana Jorge, mãe mobilizadora e animadora do grupo, a qual explicou que o colectivo, fundado em 1980, conta actualmente com 32 membros: dois tamboristas, Maquie Daglas e Chiziuvelele Chaibo, e 30 mulheres, todas residentes em Massangulo. Manifestou ainda o seu clamor por apoio para a aquisição de mais batuques e outros equipamentos que traduzam fielmente a identidade cultural do colectivo.
Por sua vez, em declarações à nossa reportagem, Vitória Glória Bento, uma das vozes sonantes do grupo, afirmou que o Grupo Chioda de Massangulo ambiciona afirmar-se como expressão viva da cultura a nível da província do Niassa, objectivo que passa por uma participação mais consistente em eventos locais, inter-distritais e provinciais.

As nossas intervenientes foram unânimes em afirmar que a abertura do grupo se estende à aceitação de novas solicitações para actuações em diversos eventos, pois só assim o grupo não passará despercebido. Relativamente às efemérides de 8 de Março e 7 de Abril, que se avizinham, confessaram que o grupo está expectante para acolher, animar e interagir com a comunidade local, pois é assim que a vida ganha sentido: rindo e fazendo rir os outros.
O Grupo Cultural Chioda de Massangulo reafirma-se, assim, não apenas como guardião das tradições locais, mas também como voz activa da memória, da resistência e da identidade cultural da comunidade. Num palco simples, com recursos modestos, prova que a grandeza da arte reside na entrega, na consciência histórica e no compromisso com o povo. Em Massangulo, o Chioda não dança apenas, testemunha, educa e mantém viva a chama da cultura moçambicana.
Texto: Ramos António Amine

















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