No longínquo ano de 1923, nas terras aráveis e encentrais de estórias de Sanga, nascia um grupo, que o tempo fez dele filho de todo Niassa. Fruto das comunidades, seu legado respira espírito e alma da vivência dos povos. Os ritos, as celebrações e todas pompas de circunstâncias de Niassa, foram sequestrados e vivem refém de suas actuações. O grupo ILALA, sobreviveu uma centena de tempos e as actuais gerações revêm sua história em cada uma das suas aparições.
O nome ILALA surgiu em homenagem ao navio que no dia de chegada concentrava massas para a recepção e o grupo por também ser apreciado pela população para assistir suas actuações, decidiu se atribuir o nome ILALA. Mas antes de 1923, era djidi, e passou para cangoge e depois ficou conhecido por cadirele. E foi como Ilala que de Sanga, se estende para outros cantos. Seus passos morram em pessoas de ambos sexos e idades, representa um momento de expressar alegria, durante a noite ou dia.
As suas canções retractam a coesão social, a harmonia, a educação das comunidades face aos diversos problemas do quotidiano. Usam batuques e latas para animação da dança, como instrumentos. A Liderança do grupo é atribuída a uma figura denominada Major, seguida de Mwanafunzi e o restante dos membros. Não tem um número limite dos membros.

De presença inconfundível, o símbolo de unhago, Ilala, preserva uma identidade que perdura gerações. A camisa branca, um símbolo de paz; calção preto, em reconhecimento do sofrimento e lutas vividas; e o laço vermelho, fala mais do que um simples aditivo, é a expressão máxima de elegância e valor do maior líquido do ser humano.
Donos dos grandes eventos e momentos mais marcantes da história de Moçambique, conhecem os maiores palcos do país e lembram com nostalgia a declaração da independência nacional. Consideram-se anfitriões dos Festivais Nacionais de Cultura- FNC, com aparições nas edições de Manica-2010, Inhambane 2012, Nampula 2014, Sofala 2016 e Niassa- 2018; e terminando na fase provincial na edição de 2023. Antes, porém, tinham dominado os palcos de extinto Festival de Música e Danças Tradicionais em 2007, representando exemplarmente o distrito de Sanga e a província de Niassa.
As participações em festivais permitiram troca de experiências com demais autores do país, o que lhes confere o título de guardiões de memórias e valores atemporais dos povos. Esse percurso rendeu ao grupo diversas homenagens e certificações de participação, diplomas de honra, títulos honoríficos, reconhecimento formal das autoridades culturais.

A glória do grupo é também reconhecida nas comunidades, onde também são cartão-de-visita e maior atracção das festas privadas, cerimónias de graduações e em eventos entre distritos, que constituem outras ocasiões de exaltação da cultura de Niassa.
Actualmente, o grupo ILALA vive momentos de adaptação após a perda do líder e co‐fundador do grupo, Saíde Omar Ncauo em 2023, porque sempre que actua, lembra ele. Desde lá, o grupo deseja ajuda em instrumentos (batuque, roupa), porque no momento depende de contribuições dos membros. Por isso, insta-se a pessoas de boa vontade a prestar apoio necessário ao grupo.











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