Num espaço onde vozes femininas ainda ecoam como novidade, Cidália de Fátima Júlio José, Marlucy para o mundo do desporto, ergue-se como presença firme e inspiradora. Aos 37 anos, casada e mãe de dois filhos, carrega consigo a essência de quem aprendeu a equilibrar a vida familiar com a paixão pelo futebol, um campo onde nem sempre foi esperado encontrar mulheres na liderança.
Antes de orientar, viveu a intensidade das partidas por dentro. Foi jogadora, conheceu o ritmo, a disciplina e a emoção do jogo. Essa experiência tornou-se base sólida para o caminho que decidiu seguir. Em 2020, deu um passo decisivo: entrou oficialmente para a área de treinadora de futebol, fazendo de sua voz, autoridade entre os homens, um desafio que abraçou com coragem e visão.
Exageros à parte, Marlucy vive e respira o futebol. Quando se deita, desperta no calor do jogo. E a vida deu lhe sentido no futebol, quanto no lar através do marido outrora jogador, hoje em dia, treinador de futebol. A partir do seu ventre, Niassa celebra-se a cada defesa ou golo marcado pelo casal de filhos, que herdou dos pais, os genes do desporto rei.
Mas para além do campo, há uma realidade que não se ignora. Ser mulher, mãe e líder não é tarefa simples. Exige força invisível, equilíbrio constante e uma determinação silenciosa. Ainda assim, Marlucy segue, conduzindo actualmente o Muchenga FC, que encanta tanto no jogo praticado quanto nas suas prateleiras pelos trofeus. Os pescoços decorados de medalhas, simbolizam o orgulho de seus pupilos que pouco relevam o facto de ser dirigidos por uma mulher.
Em entrevista à revista, deixa uma mensagem que atravessa o desporto e toca a vida:
“Ser mulher não é fácil, mas você pode conseguir fazer e realizar todos os seus sonhos e desejos. Não desista. Feliz mês da mulher.”
Entre apitos, estratégias e desafios, Marlucy não treina apenas jogadores, inspira caminhos. A sua história é prova de que o lugar da mulher também é no comando, no relvado e onde mais quiser chegar.
Ana André Mitawa

















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