No eco das motorizadas reguladas pelo sinal luminoso e anúncios de promoções de vários produtos no mercado de chiuaula, em Lichinga, Atija Julião Aly, a cada movimento na sua carteira móvel, transacciona a vida, o sustento e a esperança pelos próximos dias. Embora não se considere extraordinária, ombreia com vários homens como agente de Emola, e em cada centavo, reside o suor que irriga os sonhos dos seus quatro filhos.
Proveniente de Marrupa, Atija vive na cidade de Lichinga há mais de 15 anos. Foi nesta cidade que decidiu começar uma nova etapa da sua vida, procurando melhores condições para a sua família. Sempre debaixo da sombra que guarda mais do que depósitos e levantamentos, nela também mora a esperança e uma história que os anais da história um dia ousarão reportar.
“Eu era casada quando comecei a pensar em fazer alguma coisa para ajudar em casa. Via que o meu marido não conseguia resolver tudo sozinho. Então pensei: tenho que fazer alguma coisa para ajudar na casa.”
Com a bagagem sobre as costas do marido, Atija decidiu que as despesas familiares deviam ser partilhadas porque não se mostravam sustentáveis, nem justo para o marido assumir todas as necessidades da família. Foi então que decidiu procurar uma fonte de renda extra, surgindo assim a ideia de agente de Emola, um pequeno negócio que lhe permitiria gerar renda e apoiar a família.
No início, o trabalho parecia ser uma solução para melhorar a vida familiar. Porém, com o passar do tempo, começaram a surgir conflitos dentro do lar.
“Atender pessoas na rua e trabalhar fora de casa começou a incomodar o meu marido. Ele dizia que eu devia deixar o negócio e ficar em casa. Fiquei entre a cruz e a espada. Tinha que escolher entre o meu negócio e o meu casamento.”
Infelizmente, pouco tempo depois, o casamento terminou. Apesar da separação, Atija não desistiu. Continuou com o seu trabalho e assumiu sozinha a responsabilidade de cuidar dos filhos.
Hoje, como mãe solteira, ela sustenta os quatro filhos com o pouco que ganha como agente de emola. Mesmo enfrentando desafios diários, Atija acredita que o trabalho digno é um caminho para a independência e para uma vida melhor. Por isso, ela deixa uma mensagem clara para outras mulheres:
“As mulheres devem sair de casa e trabalhar. Devem ser independentes e ganhar o seu próprio dinheiro para ajudar a família.”
A agente de mola galga caminhos e a cada etapa supera obstáculos que fazem dela uma mulher madura e feliz.
Benefiel Bongomane
















Leave a Reply