Casal Josefa Macadona Semedo e Nilton Semedo abre suas portas para falar do amor

Sr. e Sra. Semedo

Num bairro cheio de deserto, há um portão, cujo verde anuncia múltiplos significados. Fala vários idiomas em linguagem de fartura. E de dentro, abunda amor, muito amor. Há amor em cada gesto; no olhar, na risada ou no canto dos pássaros.

Cada presença naquele quintal, celebra o romance do casal Nilton Semedo e Josefa Macadona Semedo. Desde a aura, a cumplicidade, o respeito, a amizade, o diálogo, sobretudo em momentos críticos da relação, a intimidade com que cada palavra é expressa, revela mais do que uma simples união, encarna a forma mais ideal de vida a dois.

O ponto de partida foram as trocas: a de olhares, com alguma timidez á mistura, porém, facilmente diluída por um simples empurrão; e de seguida, a de contactos, que desde aquele feliz encontro, morram em seus telemóveis, apenas com outros nomes.

Logo no início, digno de uma novela, sem dar muito nas vistas, o cavaleiro pediu a mão de sua prendida em casamento. Era um começo promissor. Um arranque de vida conjugal perfeito. Dois anos mais tarde, quando o ponteiro cronológico apontava para 2018, na presença de uma plateia escolhida a dedos, fizeram juras de amor para simbolizar uma união que hoje dura 11 anos.

Sempre descontraída e mais solta, nenhum título profissional habita dentro do lar, nem mesmo o de Delegada da Rádio Moçambique, Emissor Provincial de Niassa. Para Dona Semedo, o esposo é o mais carinhoso e atencioso. Admira o companheirismo e a entrega do parceiro para os mais próximos, sobretudo para as crianças, que vivem a sua entrega total. Ainda confidenciou: “nos momentos difíceis é sempre presente com muito amor, divertido e com uma estória sempre por contar.” Enquanto para o varão, da sua varoa, enaltece o puxão de orelha, a exigência e o foco. Diante dessas qualidades, nenhuma patente se eleva.

O casal Semedo tem na jardinagem a maior paixão. Os dois são apaixonados pelas plantas. As variedades de espécies de plantas que os cercam e morram na casa são disso exemplo, ou ainda, a esquina de arranjos florais nas proximidades da praça da liberdade, em Lichinga, expressam melhor essa paixão. Mas também respiram a arte, onde na dança, encontram fôlego para a vida. E as tarefas a dois, tem sido uma das formas de criar conexão e fortificar a amizade.

Fazemos tarefas juntos. Ou então um na companhia do outro. A presença no mesmo local é fundamental. Contamos um com outro. É divertido cuidar de plantas juntos, nossa maior paixão. Até no momento em que o trabalho nos colocou distantes, um do outro, a união foi mais forte. Fazíamos programas e cruzávamos sempre que pudéssemos. Somos muito presentes, um para o outro

Sem medidas, no casal, é consensual que o homem seja o mais romântico. Fala mais do amor, no verbo e é o mais grudento, embora a mulher também romântica, mas nas atitudes. A tia Macadona e o tio Veriato, defendem que o diálogo é fundamental para uma pronta resolução de problemas de modo que não cresçam a ponto de colocar em causa o relacionamento.

Como qualquer outro casal, o Sr. e a Sra. Semedo já experimentaram por momentos desafiantes. O maior desafio, foram as amizades. O comportamento da vida solteira no casamento foi um choque que com o tempo, o amor venceu e as amizades encontraram o devido lugar na relação.

Para a comunicadora e para o militar, todos os dias são um momento de celebração do amor. Embora alguns programas de saída em casal ajudem a relação a fugir de rotina. Para eles o programa perfeito de São Valentim é a renovação permanente de votos, a declaração de amor e demonstração de afinidade, cumplicidade, são actos que expressam o amor acima de qualquer programa.

Quando espreitam o futuro, os dois se vêm juntos na farma, respirando o ar fresco, rodeados da natureza. Sonham com um futuro natural, simples, mas decorado da biodiversidade. E para outros casais, sobretudo os mais jovens, aconselham empatia e muita seriedade. Que nada, nem os títulos ou preços coloquem em causa o relacionamento.

É tudo muito diferente, por conta do materialismo o romance tem sido colocado de lado. Hoje em dia, não há muita cumplicidade ou seriedade entre os casais. Os relacionamentos não são saudáveis, vulgariza-se o sexo. Outro problema tem sido a falta de paciência. O casamento serve para selar a união, não para mostrar luxo acima de sentimentos.”

No olhar na vida social, o casal fala da competitividade, da moral e da educação como problemas que mais afectam os casamentos. Mais adiante aponta a abertura dos pais para com os jovens ou a religião, como saídas para um crescimento ideal e formação da família.

A terminar partilham uma mensagem que carregam desde o dia do casamento

“Briguem todos dias, mas nunca durmam chateados um do outro porque a noite é longa!”