Outurbo rosa: Como Nancy Brinker, podemos impactar vidas

Denise Kondelaque

Psicóloga Clínica

Celebra-se todos os anos o mês de consciencialização sobre prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama. Vulgarmente conhecido como Outubro Rosa, é quase desnecessário explicar o que se celebra e do que se trata uma vez que a informação é disseminada pelos meios de comunicação social, pela internet e nas instituições públicas e privadas.

Quando me foi solicitado um artigo sobre Outubro rosa fiquei dois ou três dias sem saber o que realmente poderia escrever, ou se escreveria como psicóloga ou como mulher. Este cancro afecta as mulheres de forma primária, é a mulher que sente a dor, o risco de vida, o risco de  baixa percepção estética e consequente baixa auto-estima.

Mas há também a outra mulher próxima, há também o homem marido ou namorado, pai ou filho, irmão ou amigo que sofre, que acompanha. E estas pessoas entram na luta e ao seu modo, com o seu sentimento, com a sua intenção participam dessa luta com a mulher afectada. A paciência, o carinho e o cuidado são formas de se entregar e ajudar a mulher afectada.

Mas aonde quero chegar com isto? Acontece que a história das campanhas de Outubro rosa começou com uma mulher de nome Nancy Brinker que não tinha cancro, mas viu a sua irmã, Susan Komen, perder a vida vítima deste cancro na década de 1980 em Nova Iorque, nos Estados Unidos de América.

Diante da experiência devastadora, Nancy Brinker prometeu à Susan que faria tudo o que pudesse para ajudar outras mulheres a enfrentaram a doença. Ela não prometeu fazer alguma outra coisa que estivesse à frente da ciência, prometeu apoiar, ajudar a diagnosticar e prevenir. Este cancro, como todos os outros, desenvolve muito rápido e é difícil combater, a doente enfrenta dores fortes, medidas terapêuticas que envolvem amputação.

É uma situação delicada e de profunda dor e um abraço, um conforto, uma conversa vale tanto quanto um comprimido. O propósito de Nancy Brinker espalhou-se por Nova Iorque e por todo o mundo nas décadas seguintes e hoje faz parte de vários programas nacionais de saúde de diversos países.

Quando celebramos o mês de consciencialização sobre o cancro de mama com um lacinho cor-de-rosa, não nos juntamos para sentir pena das pessoas, mas para tomar coragem de participar activamente na vida de quem enfrenta este mal com o propósito de ajudar, ser útil, ser aquele abraço que conforta e aquele olhar que traz esperança.

Importa lembrar que o activismo do combate ao cancro de mama não é somente em Outubro, é uma actividade diária, pois o cancro não conhece calendário. Não precisamos de levar roupa cor-de-rosa todos os dias, mas precisamos ser aquelas pessoas as mulheres vigilantes e homens sempre cuidadores. Tal como Nancy Brinker, nós podemos ir muito longe e impactar na vida de muitas pessoas que de forma directa ou indirecta enfrentam o cancro da mama.