Hoje me peguei olhando para ti de um modo diferente, como quem procura por algo que não sabe ao certo o que é, numa tentativa de encaixar todas as peças através das tuas feições que agora soam tão anódinas que chego a não as reconhecer; tudo em ti é tão vazio, um vazio maior do que aquele que assombra o meu coração; no desespero continuo te olhando na esperança de adentrar as camadas de londasleíta que agora tento recalcitrantemente quebrar, é um esforço inconsciente e digamos inútil.
Depois de tanto avigorar e vencida pelo cansaço finalmente compreendo o que mudou, na verdade não são as tuas feições que se tornaram impenetráveis, eu é que já não me vejo em ti, por muito tempo eu andei a minha procura, tu foste o único lugar em que eu finalmente me encontrei, em que eu me vi tão vulnerável e forte, em que pude ser insanamente meiga, ser quem eu sou de verdade.
Olho para ti mais uma vez, agora sabendo o que procuro, definitivamente não me encontro.














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