TECARTES: O JOVEM QUE TRANSFORMA A ARTE EM INSTRUMENTO DE MUDANÇA SOCIAL

Na cidade de Lichinga, a arte continua a ganhar espaço através do talento e da determinação de jovens que fazem da criatividade uma forma de expressão e de transformação social. Entre esses jovens destaca-se Tecnésio Luís, ou simplesmente, TECARTES, um artista que encontrou na arte um caminho para comunicar, retractar a realidade e inspirar outras pessoas.
A paixão pela pintura brotou numa terra fértil, quando a ocupação fez da escola um ofício das artes. O gosto pelo desenho falou um idioma natural, e tornou-se evidente para a sua família, especialmente para a sua mãe, que foi a primeira pessoa a reconhecer o seu talento e a incentivá-lo a desenvolvê-lo.

    “A paixão pela arte começou quando eu ainda estava na escola. Foi a minha mãe quem descobriu o meu talento e acreditou em mim desde o início.” recordou.

Tecartes como outros artistas, vive fora da bolha, e procura produzir obras que vão muito além da decoração. As suas pinturas abordam temas ligados ao impacto social, retractam paisagens e representam acontecimentos da actualidade, procurando despertar a consciência das pessoas sobre diferentes questões da sociedade. Para o jovem artista, a pintura deve ser uma linguagem capaz de transmitir mensagens e provocar reflexão.

     “Procuro transmitir mensagens de impacto social. Quero que as minhas pinturas levem as pessoas a pensar sobre aquilo que acontece à nossa volta”, afirmou.

Apesar do reconhecimento que tem vindo a conquistar, o percurso não foi isento de dificuldades. O pintor recordou os momentos em que a criatividade e inspiração partilhou tecto com as sombras. No entanto, escolheu transformar as críticas em motivação para continuar a crescer.

   “Houve pessoas que tentaram desmotivar-me, mas nunca deixei de acreditar no meu sonho. Foi a persistência que me trouxe até aqui”, disse.

Na fala de um verdadeiro vencedor, Tecartes apontou a dificuldades, mas sem cacarejar vislumbra um futuro sorridente da sua arte. Apesar disso, referiu igualmente que ainda existe pouca união entre os artistas da província, situação que dificulta o fortalecimento da classe artística. “Às vezes falta apoio entre os próprios artistas. O egoísmo faz com que cada um fique do seu lado, dificultando o crescimento colectivo”, lamentou.

Ao recordar alguns dos momentos mais marcantes da sua carreira, destacou a participação num concurso de artes plásticas que lhe permitiu representar a província do Niassa na fase nacional, realizada na cidade da Beira, em 2021. A experiência proporcionou-lhe a oportunidade de conhecer artistas de diferentes regiões do país, trocar conhecimentos e ampliar a sua visão sobre o universo das artes plásticas.

de olhos carregados de emoção, Tecartes entre suas jóias, escolhe a dedo a sua criação mais celebre “Globalização Tecnológica”, uma pintura que retracta o comportamento da juventude actual perante as novas tecnologias. Segundo explicou, a obra procura chamar a atenção para o tempo excessivo que muitos jovens dedicam aos telemóveis e às redes sociais. “Esta obra mostra como os jovens passam grande parte do tempo nos telemóveis e nas redes sociais. É uma reflexão sobre a sociedade em que vivemos”, explicou.

Falando sobre o seu processo criativo, o artista revelou que cada trabalho nasce primeiro na imaginação. “Primeiro surge uma ideia. Depois forma-se uma imagem na minha mente e, finalmente, essa visão transforma-se numa pintura”, afirmou, demonstrando que cada quadro resulta de um processo de reflexão antes de ganhar forma sobre a tela.

Embora reconheça que viver exclusivamente da arte ainda seja um desafio, Tecartes não esconde a satisfação pelas conquistas alcançadas. “Não ganho muito. Financeiramente ainda não compensa”, confessou. Ainda assim, considera que a sua maior vitória foi conquistar a independência financeira através do talento e do esforço pessoal, mostrando que a persistência pode abrir caminhos mesmo diante das dificuldades.

Olhando para o futuro, o jovem artista revelou que o seu maior sonho é criar um ateliê e uma galeria de arte, espaços onde poderá produzir, expor e aproximar ainda mais o público das suas obras.

Texto de Benefiel Bonga