Mulher Enfeita Capulana nas Celebrações de 7 de Abril

Entre cânticos, passeatas, reflexões e muita animação, em Lichinga, a mulher enfeitou a capulana, exibindo mais do que simples dotes de moda, um talento para fazer da sua presença um interlocutor de várias mensagens. Nas suas expressões, cada curva, corte, modelo ou cor, falavam além da arte, eram idiomas de celebração.

Em pele de flor, a mulher fez se adereço e da capulana, vaso guardião de seus atributos. De sorriso e rostos decorados, alargou sua autoridade para fora do lar, cativando olhares, desde a Praça dos Heróis, nas primeiras horas, às casas de pasto, no início da tarde.

No dia 7, não foi somente o tamanho de cabelo que adornou a cabeça da mulher. Ainda que o número e o país de origem importassem, os turbantes ou a própria capulana estiveram entre a moda, onde o arranjo ou feitio simbolizavam traços que atravessam gerações.

Numa tarde animada, as confraternizações entre amizades de diversas proveniências, marcaram os locais de maior aglomeração. Os restaurantes, igual as alfaiatarias e lojas de capulanas nas vésperas, na sua maioria, tinham preferência no género. Nesses dias, mais do que pagar, era preciso ser mulher. Mas o dress code não terminou apenas nas vestes. A música era escolhida a dedo e a dedo, contava-se as que o DJ podia tocar. Os karaokes inundaram os palcos e a timidez recolheu se para posteridade.

E porque o dia era de toda mulher moçambicana, a que nas casas do pasto da praça podia sentir-se peixe fora d’água, no seu habitat celebrou até no louvor e na palavra experimentar a exaustão. De louvor em louvor e de palavra em palavra, as mulheres da Igreja Evangélica Visão Cristã, responderam o chamado a partir da casa do Senhor, onde fizeram habitar a palavra, a poesia, o desfile e muito convívio.

Pelo nosso e outros canais, as mulheres reflectiram sobre os desafios correntes, como o acesso à educação, emprego, cuidados de saúde, dependência financeira dos seus parceiros, a descriminação baseada no género ou a união de esforços de mulher para mulher. Entretanto, mostraram-se optimistas na superação de cada uma das barreiras e apontaram a educação como chave para o empoderamento feminino.

E porque Deus está acima de tudo e de todos, alguns depoimentos indicaram a necessidade da mulher ser capaz de ultrapassar seus problemas com sabedoria, colocando o criador no centro de tudo, como forma também de evitar que pautem pela violência em busca de uma capulana para 7 de Abril ou em outras ocasiões.

Em Lichinga assim como pelo resto da província, a festa do Dia da Mulher Moçambicana estendeu-se à madrugada de 8 de Abril, onde após muita diversão com um cardápio em palco recheado de pratos típicos de Niassa ou mesmo de fora, selou-se o compromisso para que o 7 de Abril de 2027 seja ainda mais célebre.

𝐀𝐫𝐭𝐢𝐦𝐢𝐬𝐚 𝐓𝐢𝐯𝐚𝐧𝐞 𝐌𝐮𝐜𝐚𝐯𝐞𝐥𝐞