DO ALTO DA COLINA Por Danilo Tiago

Por Danilo Tiago

QUANDO NÃO SE ENTENDE O QUE SE LÊ, MAS SE TEM PLENA CERTEZA DO QUE SE OPINA!

O mundo actual não é apenas polarizado politicamente, mas também socialmente, economicamente e sobretudo no que a opinião diz respeito. Já dizia Umberto Eco, em relação a falta de filtro na internet que “a tecnologia promoveu o idiota da aldeia ao patamar do portador da verdade, equiparando opiniões rasas ao conhecimento científico.”

O que se vive hodiernamente, principalmente no mundo virtual (internet) é a existência de uma espécie de seres humanos que se acham dotados de superpoderes, como agem? Eles lêem pouco, entendem menos ainda, mas mesmo assim, por se acharem super especiais, reagem à velocidade de jacto para dar a entender que percebem melhor em relação a quem escreveu ou teceu o comentário alvo da reacção deles.

É um aprendizado comum nas escolas de comunicação: quem quer comunicar, deve codificar uma mensagem. Escolhe palavras, organiza ideias sem receio de que as mesmas sejam debatidas. Em contrapartida, quem recebe essas ideias milimetricamente organizadas e sem receio de que as mesmas sejam alvo de debate, deve ser capaz de entendê – las e sobretudo codificá – las. Mas o que se vive actualmente é o inverso do que razoavelmente devia ser.

Como escreve Micaria Lins “comunicação é telepatia. Você pode ser claro. Pode ser didáctico. Pode ser elegante, pode escolher cada palavra com precisão cirúrgica. Ainda assim se do outro lado existe pressa, projecção, má – fé ou limitação cognitiva, a mensagem chega deformada. E é nesse ponto que muita gente chama de opinião, aquilo que na prática, é só falta de descodificação com auto-estima alta.”

Estamos só em 2026, a Inteligência Artificial ao que tudo indica veio para ficar, não bastam as redes sociais que acresceram o nível de arrogância, prepotência em jeito de opinião inabalável, inalienável, e extremamente difícil de ser rebatida, agora temos de conviver com esse monstro chamado Inteligência Artificial, que de inteligência nada tem, mas tão-somente a projecção, endeusamento grosseira do ócio.

Portanto, vivemos tempos em que ao invés de enfrentar o argumento, os detentores da opinião inquestionável preferem atacar o mensageiro.

É destes tipos que não entendem o que se lêem, mas têm certeza das suas inabaláveis opiniões que o mundo, a sociedade actual deve não apenas combatê – los, como também saber lidar com eles, são muitos, obviamente, mas combatê – los e lidar com eles é um imperativo.