Carlos Sócrates, é mais do que um nome; é um símbolo, uma referência no quesito cultural em Niassa. Berço de criações e execuções, seus dedos na guitarra são uma verdadeira orquestra.
Nascido a 12 de Abril de 1967, na província da Zambézia, reside em Lichinga desde 1994, onde construiu uma carreira inteira. A sua história na música sobreviveu Eras, consolidando-o não apenas como artista, mas também como professor de novos talentos. Tem uma trajectória que se confunde com a história da música na província do Niassa, cujo percurso tornou lhe num dos mais respeitados instrumentistas e promotores da identidade cultural de Niassa.
Aprendeu as artes muito antes de aprender a vida e Niassa, adoptou lhe como um dos seus. Carlos Sócrates integra na banda 1º de Maio de Quelimane em 1980, onde continua como membro; e na década 1990 junto de uma banda musical de Nacala, concretamente em 1994, pisa o planalto de Lichinga a convite do Niassa Entretenimento, afim de acompanhar uma actuação do renomado músico Stuart Sukuma. Depois do espectáculo, surgiu uma proposta para que o grupo permanecesse em Lichinga. embora, com o passar dos anos, os restantes integrantes tenham deixado a província, Sócrates decidiu permanecer, tornou-se natural e hoje canta Niassa de peito e alma.
Carrega consigo a paixão da infância, que aliada a criatividade, superaram o acesso limitado dos instrumentos musicais. Na escola tocava latas e fabricava violas com materiais caseiros, utilizando latas de azeite e pedaços de madeira. Foi assim que começou a descobrir um talento e a desenvolver o amor pela música.
Ao longo da sua trajectória, Carlos Sócrates na década de 1990 integrou e contribuiu para o fortalecimento da emblemática banda Os Massukos. Cumprida a missão na banda, como um peregrino da música, corre atrás de projectos pessoais.
Entre várias iniciativas, monta o primeiro estúdio caseiro em Lichinga, que viria se transformar numa gravadora de áudio e vídeo registada como editora. Um verdadeiro Mestre da guitarra, conhece a sonoridade e alma dos ritmos de Niassa em decoro. Os hinos que mais cantam Niassa conhecem seus dedos, e ainda assim, não se considera realizado como artista.
Em 2020, o missionário das artes em Niassa, funda a banda Os Versáteis, para ajudar jovens talentos na criação e interpretação de números musicais atemporais e diversos. E mais recentemente, no dia 25 de Junho de 2026 foi condecorado pelo Estado moçambicano. Uma menção honrosa recebida com muito orgulho pelo contributo de enorme valor no mundo das Artes na província.
Carlos Sócrates é proprietário de uma empresa de eventos culturais, L Studios Editora, que fornece palco, sistema de som, instrumentos musicais e outros equipamentos para espectáculos. Nele quando a guitarra, a bateria, teclado, o piano ou microfone reclamam dedos ou voz, o instrumentista de todos instrumentos veste de super-herói para alegrar presenças de todos gostos.
Texto de Jonito Janeiro



















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