ENTREVISTA
“SOU REVOLUCIONÁRIO E LUTO PELA UNIDADE NACIONAL ATRAVÉS DO HIPHOP, MINHA ARTE”
Pier Dogg
Há propósitos cuja moradia encontra-se em cada parte de nós. Órfão de egos, a Unidade Nacional é um desses propósitos, parida do conforto e odor das trincheiras; gerada em trilhas de calçados alheios, revelando se com tempo, filha de todos partos, inclusive do Ritmo, Arte e Poesia (RAP). Hoje, tornou-se movimento, sustenta uma causa, nutre almas e alimenta sonhos que superam parentelas.
Assim foi; assim, tem sido a vida de António Rodolfo Guerra, de quem nem o cordão umbilical perdido algures em chiveve, foi forte bastante para limitar a maratona de mais de duas décadas de dedicação ao HipHop. Pier Dogg, hoje simboliza a causa, a missão, o comando, o movimento.
Homem de uma visão à margem da maioria, Pier Dogg começa o RAP na terra natal, Beira, onde através do Mega Show, os sintomas da promoção da Unidade Nacional ganham corpo com o eco de músicas de rappers de todo país no seu programa. Com a ida à Maputo em 2006, o matrimónio entre os estudos e o RAP, pariu formação académica e deu vida ao movimento.

Movido pela abrangência e inclusão, o também ilusionista, fez da magia o encanto e inicia o programa radiofónico “Radiação HipHop”, para acomodar músicas de artistas de fora de Maputo, na maioria sem vídeos clipes para alimentar o seu programa televisivo “Marcas de HipHop”, sempre com o diferencial do produto nacional.
O rapper e empreendedor cultural, conta à Upile que o embrião do Festival Nacional do HipHop foram transmissões do “Live Show” no programa Marcas do HipHop, que envolviam artistas de todo país. Com tempo, o espaço, as exigências e a missão, pediram palco e sonhos ainda maiores, e junto do Drácula e outros tropas do movimento, 2015 foi o ventre que deu luz ao 1º Festival.

Durante a trajectória de 11 edições, não foi apenas do festival que Pier Dogg se fez. O Mozambique HipHop Awards em duas edições, foi outra iniciativa que apesar do aborto prematuro por razões financeiras, valorizou a causa.
O fraco financiamento às artes, sobretudo a cultura HipHop, precipitou o infortúnio. Ainda assim, o festival mostra se resiliente e entre as edições, o mentor da iniciativa destaca a 9ª, por literalmente ter juntado rappers de todas províncias, a 10ª e 11ª, por dar sequência às homenagens de 34 e 30 artistas, respectivamente.
Ano após ano, Pier Dogg e seus soldados, doam sangue ao movimento. Criam iniciativas que fazem dos eventos sublimes. O “Show Case” e o Tributo ao Mano Azagaia, outro expoente do HipHop Moz, foram o ápice do 11º Festival Nacional do HipHop “Punhos no Ar“, onde artistas como Gina Pepa, Elfas e Rei Bravo, interpretaram números de Azagaia, e ainda assim, o carácter único do evento atirou a esposa (viúva) do rapper ao palco para fazer se de Homem Bomba, um momento que eternizou as lutas e a memória do artista.

O CEO da produtora Nexta Vida Entertainment, ainda que numa linguagem modesta, fala com satisfação da serventia dada a alguns projectos de nomes de peso do movimento, e a dedo aponta “Antibiótico” do Flash Ency ou “Travessia” que na sua teimosia, foi mais um impulso à Unidade Nacional com artistas de todo país.
Como ninguém, fala de nomes e pronomes de rappers de cada província. Sem cacarejar, num idioma próprio viaja pelo país, igual um comandante, conhece seus saldados e o respectivo batalhão.
Hoje, Pier Dogg, maior rosto do Festival Nacional do HipHop “Punhos no Ar“, do alto mar, vislumbra a terra firme; ousa sonhar num festival fora da capital. Como revolucionário, fala com convicção de quem acredita na missão da unidade nacional através do HipHop, sua arte., porque o propósito não tem única moradia.
Leonel A. Mucavele















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