HOMENAGEM AO FERNANDO DAMAS: O AUTOR DOS MIL INFINITOS PSEUDÓNIMOS PELAS RÁDIOS DO NORTE DO PAÍS

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HOMENAGEM AO FERNANDO DAMAS: O AUTOR DOS MIL INFINITOS PSEUDÓNIMOS PELAS RÁDIOS DO NORTE DO PAÍS

Descendente da terra da Rainha Namuanama, Fernando Damas, desde 08 de Novembro de 1973, irriga memórias de sua infância nas margens do rio Nhassalo, num distrito de onde partiu aos 5 anos para Lichinga. A sua proveniência, Marrupa, teceu-lhe o carácter e outros valores cujo idioma, supera preços.

Jornalista formado pela escola da vida, conheceu a profissão da carteira, em diversos programas de formação, capacitação e partilha em matérias de jornalismo, locução e programação; dos estúdios, no preparo e intimidade com o ouvinte; e, das poeiras, onde inalar e veicular ou comunicar e dessecar, mais do que rimas, passaram a ser sinónimos, num percurso que perdura há mais de duas décadas. Fala de Niassa como esquina que guarda segredos da profissão e da mocidade, ruela ou povoado, onde morra sua paixão e labor de toda vida.

Como qualquer outra profissão, os primeiros dias na rádio (Rádio Moçambique- Emissor Provincial de Niassa) foram tenebrosos, assustadores, mas, a crença e o sonho foram determinantes. Hoje mais do que profissional, Fernando Damas, é professor da comunicação para os mais jovens.

Um homem vertical na fala e determinado, em 2012 transformou as dificuldades e incertezas na locução em língua emakua em veículo de fortalecimento e comunicação correcta através do programa “Sentido das Palavras”, que ainda hoje, serve para direccionar os jovens a aprender a língua. Mas, por detrás do Mestre Damas, outros professores inspiraram sua trajectória e deram vida suas aspirações. Dos canais internacionais “Voz da América” e “DW África” ou do saudoso e eterno radialista, Galiza Matos, aprendeu o que nenhuma escola ensina, paixão.

Da paixão pelo jornalismo e locução, nasceram momentos imensuráveis, cravados na memória colectiva da participação de Niassa nos Festivais Nacionais de Cultura de 2008 a 2025, com a excepção ao de 2014. E, da arte de comunicar em todas línguas que banham o Lago Niassa, fez se poliglota e marinheiro capaz de navegar no mais profundo e internacional do lago.

A apetência pela Feira Internacional de Maputo (FACIM), que tem se revelado outro palco do Professor Damas, confirma o turismo como cônjuge de cultura, onde na sua redacção ou narração, as partes se entrelaçam, se misturam e se confundem.

Homem forjado para comunicação, Fernando Damas é membro do Conselho Nacional do Sindicato Nacional de Jornalistas desde 2011, antes, porém, de 2006 a 2011, teria conduzido com sabedoria, os destinos do Secretário Provincial do SNJ- Sindicato Nacional de Jornalistas no Niassa. Daquela dinastia, a classe carrega com nostalgia a atribuição de talhões aos membros da agremiação pelo CMCL.

Escravo do tempo, Damas, valoriza o feedback do ouvinte, mas assume se como primeiro ouvinte das emissoras a seu redor, como forma de aperfeiçoar a sua arte.

Não teme o futuro e orgulha se pela profissão, que considera ser vital a escolha pela vocação e não por outros estereótipos financeiros. Das suas mãos, pés e profissão, agarrou mundos em formas de molduras com a atribuição do diploma de mérito por ocasião dos cinquenta anos da Rádio Moçambique em reconhecimento dos seus feitos ao serviço desta estação emissora e, galgou em toda extensão, o país e parte do pequeno mundo vizinho, cobrindo momentos e figuras importantes de Moçambique, como a visita do Presidente da República, Filipe Nyusi à Botswana, em 2022.

Ainda assim, Damas sonha, e atingir reforma como jornalista, é um dos objectivos da vida, que o associa à sede de formação, ao estágio profissional contínuo, partilha de experiências com outros profissionais da classe, e fazer da sua labuta um espaço de formação dos mais jovens.

Texto d’Artimisa J. Tivane Mucavele